junho 5, 2026

A Entrega: Um Conto Erótico de Noite Quente: leia o guia

Mariana olhou para o relógio pela terceira vez em dez minutos. Eram quase dez da noite e o pedido ainda não havia chegado. Com fome e uma irritação discreta subindo pela garganta, ela deixou o sofá e caminhou até a porta do apartamento quando ouviu a batida. Abriu sem pensar duas vezes.

O Entregador

O homem que estava no corredor não se parecia com nenhum entregador que ela já tivesse visto. Alto, ombros largos preenchendo a jaqueta preta do aplicativo, cabelo escuro levemente desgrenhado e um sorriso que parecia conter uma desculpa e algo mais. Ele segurava a sacola térmica com uma das mãos e o celular na outra.

— Desculpe o atraso. Tivemos um problema com o sistema e seu endereço sumiu da fila — ele disse, com uma voz grave que fez algo dentro do estômago de Mariana se contrair. — Mariana, certo?

Ela confirmou com a cabeça, pegando a sacola. Os dedos dele roçaram nos dela por um segundo que pareceu mais longo. Ela notou que ele não tirou os olhos dos dela.

— Obrigada. Pode ficar com a gorjeta no app — ela disse, já prestes a fechar a porta.

— Na verdade… — ele hesitou, passando a mão pela nuca. — Meu celular morreu. Não consigo confirmar a entrega.

Mariana observou a tela apagada do aparelho e suspirou. A noite estava quente, o apartamento estava solitário, e por algum motivo que ela não queria examinar com muita profundidade, a ideia de mandá-lo embora naquele momento parecia um desperdício.

— Entra. Pode carregar aqui enquanto eu confirmo no meu.

A Corrente Elétrica

Ela não sabia exatamente por que disse aquilo. Rafael — conforme ele se apresentou enquanto entrava — parecia igualmente surpreso com o convite. Deixou a mochila no banco da cozinha e conectou o cabo que Mariana ofereceu. O apartamento era pequeno: sala conjugada com a cozinha, um corredor curto levando ao quarto e ao banheiro. Ele olhou ao redor com curiosidade discreta.

— Bonito por aqui — ele comentou.

— É só um apartamento — ela respondeu, abrindo o app no celular. Mas percebeu que suas mãos estavam levemente trêmulas e que a respiração havia mudado de ritmo.

Rafael encostou-se no balcão da cozinha. A jaqueta do aplicativo estava aberta, revelando uma camiseta cinza justa que delineava um torso atlético. Mariana tentou concentrar-se na tela do celular, mas seus olhos traiam a intenção, voltando repetidamente para o homem a poucos passos dela.

— Posso usar o banheiro? — ele perguntou.

Ela apontou o corredor. Quando ele passou por ela, o perfume dele — algo amadeirado, com toque de baunilha — preencheu o espaço entre os dois. Mariana fechou os olhos por um instante. Reconheceu aquele calor. Era desejo, puro e direto, chegando sem aviso como uma onda que não se pode segurar.

O Ponto Sem Volta

Quando Rafael voltou, Mariana estava de pé no corredor, como se o tivesse esperado ali. Os dois se olharam em silêncio. O ar do apartamento parecia mais denso, carregado de uma eletricidade que não tinha nada a ver com o celular carregando na tomada.

— Eu deveria ir — ele disse, mas não se moveu.

— Você deveria — ela concordou, dando um passo à frente.

A distância entre eles se reduziu a quase nada. Mariana sentiu o calor do corpo dele antes mesmo do toque. Quando as mãos de Rafael encontraram sua cintura, ela soltou um suspiro que não tentou disfarçar. Os dedos firmes apertaram a curva do quadril dela, puxando-a contra ele. Mariana sentiu a evidência do desejo de Rafael pressionando contra seu ventre e um arrepio percorreu sua coluna.

— Tem certeza? — ele murmurou perto do ouvido dela, os lábios quase roçando a concha.

— Tem certeza? — ela repetiu, olhando para cima, encontrando os olhos escuros dele.

Rafael respondeu com a boca. O beijo começou devagar, explorador, como se ambos estivessem testando o chão antes de pisar firme. Mas a contenção durou pouco. A língua dele encontrou a dela com uma pressão que tirou o ar de Mariana. Ela agarrou os ombros dele, sentindo a firmeza dos músculos sob a camiseta, e correspondeu com igual fome.

As mãos de Rafael subiram pelas costas dela, encontraram a barra da blusa de seda e deslizaram por baixo. O contato direto da pele quente dele contra as costas nuas de Mariana fez ela gemer contra a boca dele. Os dedos dele traçaram linha reta pela espinha, desde a cintura até o sutiã, que ele desfez com habilidade que a surpreendeu.

Partida para o Quarto

Mariana o puxou pelo corredor. O quarto estava iluminado apenas pela luz amarelada do abajur na mesinha de cabeceira. Ela se afastou o suficiente para tirar a blusa, e Rafael parou por um instante para olhar. O olhar dele percorreu cada centímetro de pele exposta com uma intensidade que fez Mariana sentir-se ao mesmo tempo vulnerável e poderosa.

— Tira isso — ela disse, puxando a borda da camiseta dele.

Rafael tirou a jaqueta, a camiseta e a camiseta interna em movimentos rápidos. O que apareceu correspondeu ao que as roupas prometiam: peito largo, abdômen definido, uma trilha de pelos escuros descendo do umbigo e desaparecendo sob a cintura da calça. Mariana colocou as mãos no peito dele, sentiu os batimentos acelerados sob a palma, e sorriu.

Ela o empurrou suavemente para a cama. Rafael sentou-se na borda e Mariana montou em seu colo, os joelhos afundando no colchão de cada lado das coxas dele. O beijo recomeçou, mais profundo agora, com as mãos percorrendo caminhos sem pressa. Ele segurou os seios dela com as duas mãos, os polegares passando sobre os mamilos já endurecidos em círculos lentos que a deixaram ofegante.

— Rafael… — ela sussurrou, sem saber exatamente o que pedia, mas ele entendeu.

A boca dele desceu pelo pescoço, pela clavícula, e fechou-se em torno de um dos mamilos. Mariana arqueou as costas, os dedos enterrados no cabelo dele. A língua quente e o vácuo da sucção enviaram ondas de prazer direto para entre as pernas, onde ela já sentia a umidade crescendo na calcinha.

Sem Pressa

Rafael deitou-a na cama e se afastou apenas o suficiente para tirar a saia e a calcinha dela. Mariana ficou nua sob o olhar dele e não fez questão de se cobrir. Ele a observou com admiração, como quem aprecia uma obra que não esperava encontrar.

— Você é linda — ele disse, e soou verdadeiro demais para ser cortesia.

Ele se levantou para tirar o resto das roupas. Mariana aproveitou os segundos para olhar: o corpo dele era proporcionalmente generoso, e ela sentiu uma antecipação misturada com uma pontada de aprehensão que só aumentou a excitação.

Rafael voltou para cima dela, mas em vez de ir direto ao ponto, ele começou de novo. Beijou a boca dela, o queixo, a garganta, desceu lentamente pelo corpo como se tivesse toda a noite do mundo. Quando alcançou o ventre plano de Mariana, ela já estava se contorcendo.

— Por favor — ela pediu.

Rafael abriu as coxas dela com as mãos e baixou a cabeça. O primeiro contato da língua quente contra a pele sensível fez Mariana erguer o quadril da cama. Ele usou os lábios e a língua com uma precisão que a deixou sem fôlego, alternando entre sucção e lances longos que subiam e desciam. Uma mão dele subiu para apertar um seio enquanto a outra mantinha a coxa dela aberta.

Mariana enfiou os dedos no lençol. O prazer se construía em camadas, cada movimento da boca dele adicionando uma nova camada de tensão que se acumulava no baixo ventre. Quando ele introduziu dois dedos dentro dela enquanto continuava com a língua, Mariana soltou um gemido alto que não tentou conter.

O orgasmo chegou como uma onda que quebra contra a rocha: súbito, intenso, arrastando tudo junto. As pernas tremeram, a visão embaralhou, e ela ouviu a própria voz chamando o nome dele sem ter decidido fazê-lo.

A Entrega Final

Rafael subiu pelo corpo dela, beijando-a, e Mariana provou a si mesma nos lábios dele. Antes que a onda passasse completamente, ela o puxou para cima e sentiu a ereção dele pressionando contra sua entrada ainda sensível.

— Camisinha — ele disse, procurando na calça jogada no chão.

Mariana abriu a gaveta da mesinha de cabeceira e entregou um pacote. Ele vestiu com praticidade e voltou para cima dela. Mariana envolveu as pernas ao redor da cintura dele, os calcanhares pressionando as nádegas firmes.

A penetração foi lenta. Rafael entrou centímetro por centímetro, observando a reação dela, e Mariana sentiu cada milímetro daquele preenchimento que esticava e adaptava. Ela soltou o ar que nem percebera que estava segurando quando ele ficou completamente dentro.

Eles ficaram imóveis por alguns segundos, apenas respirando, olhando um para o outro. Depois Rafael começou a se mover. Os primeiros movimentos foram longos e profundos, saindo quase inteiro e retornando devagar, como se quisesse que ela sentisse cada detalhe.

Mariana acompanhava o ritmo, encontrando o ângulo que a fazia ver estrelas. O som dos corpos se encontrando, a respiração pesada, os gemidos que escapavam sem censura — tudo formava uma sinfonia explícita que preenchia o quarto.

O ritmo acelerou. Rafael apoiou os antebraços ao lado da cabeça dela, os olhos fixos nos olhos de Mariana, e os golpes ficaram mais fortes, mais rasos, mais urgentes. Ela sentia o segundo orgasmo se aproximando, construído sobre as brasas do primeiro.

— Vou… — ele avisou, a voz rachada.

— Vai — ela pediu, apertando-o com as pernas.

Rafael enterrou o rosto no pescoço dela e veio com um gemido abafado que vibrou contra a pele de Mariana. O ritmo descompassou e ela aproveitou os últimos movimentos para chegar lá também, um orgasmo mais curto mas igualmente intenso que a fez fechar os olhos com força.

Ficaram assim por um tempo que nenhum dos dois mediu. O suor resfriava na pele, a respiração voltava ao normal, e a cidade continuava lá fora, alheia ao que aconteceu naquele quarto de apartamento.

A Saída

Rafael se levantou para descartar a camisinha no banheiro. Quando voltou, já estava vestindo a calça. Mariana acomodou-se na cama, o lençol cobrindo até o peito, observando-o se arrumar com uma mistura de satisfação e melancolia pós-coito.

Ele pegou o celular da tomada. A tela acendeu, mostrando bateria suficiente.

— Entrega confirmada? — ela perguntou com um sorriso preguiçoso.

Rafael riu baixo. — A melhor entrega da noite.

Ele vestiu a camiseta, a jaqueta, pegou a mochila. No limiar da porta, se virou.

— O jantar deve estar frio — ele disse.

— Eu tenho micro-ondas — ela respondeu.

— Vou deixar meu número no pedido. Se precisar de outra entrega…

— Vou saber quem chamar — ela completou.

A porta se fechou. Mariana ficou deitada por mais algum tempo, olhando para o teto, com o sabor dele ainda na boca e o corpo pedindo mais. O celular vibrou na mesinha de cabeceira. Uma notificação do app de entregas: avaliação do entregador. Cinco estrelas, sem hesitação. Depois, uma mensagem de número desconhecido: “Ainda bem que meu celular morreu.”

Mariana sorriu, digitou uma resposta curta, e finalmente foi esquentar o jantar.