Mariana olhou para a tela do celular e sentiu o corpo reagir antes mesmo de processar as palavras. Eram 23h47 de uma sexta-feira em Lisboa, e o único som no apartamento era o sussurro do vento na varanda. A mensagem de Carla era curta, direta: “Vestida ou sem roupa quando eu chegar?” Mariana digitou a resposta com os dedos levemente trêmulos: “Faço questão de que você tire.”
A Espera
Levantou-se do sofá e caminhou até o espelho do corredor. Tinha escolhado o vestido de seda verde-escuro de propósito — sabia que Carla tinha uma fraqueza confessada por aquele tecido contra sua pele. O cabelo castanho estava solto, caindo em ondas sobre os ombros, e um perfume amadeirado, com notas de baunilha e almíscar, completava o quadro intencional que havia montado.
Enquanto esperava, refez mentalmente os últimos meses. Conhecer Carla numa exposição de fotografia no Chiado parecia agora o início de um roteiro que nenhuma das duas teria ousado escrever. A atração foi imediata — aquele olhar prolongado sobre as impressões em preto e branco, o café que se estendeu por horas, o primeiro beijo sob os plátanos da Avenida da Liberdade numa noite de junho. Agora, três meses depois, a antecipação antes de cada encontro ainda tinha a mesma intensidade elétrica do início.
O interfone cortou o silêncio. Mariana respirou fundo antes de apertar o botão.
A Chegada
Carla entrou com aquele andar seguro que Mariana tanto admirava — alta, ombros retos, usando um terninho cinza que sugeria ter vindo direto de alguma reunião formal. Os cabelos loiros estavam presos num coque elegante, e os olhos verdes encontraram os de Mariana com uma familiaridade que era, ao mesmo tempo, reconfortante e incendiária.
— Fechou a porta — disse Carla, deixando a bolsa cair na cadeira mais próxima. — Boa escolha não ter começado sem mim.
— Estava tentando ser paciente — Mariana respondeu, recostando-se levemente contra a parede.
Carla aproximou-se devagar, como quem aprecia uma obra de arte antes de tocá-la. Parou a poucos centímetros, e Mariana sentiu o calor do corpo da outra mulher como uma onda. Quando Carla finalmente a tocou, foram apenas as pontas dos dedos deslizando do cotovelo até o ombro, acompanhando a linha da alça do vestido.
— Esta seda — Carla murmurou, passando os dedos pelo tecido — é quase injusto.
Mariana inclinou-se e encontrou os lábios de Carla. O beijo começou suave, exploratório, mas rapidamente ganhou profundidade. A língua de Carla encontrou a sua com uma urgência que contradizia a lentidão da aproximação. Mariana enroscou os dedos nos fios loiros que escapavam do coque, puxando-a mais para perto.
O Desdobrar
Carla deslizou as mãos pelas costas de Mariana, encontrando o fecho do vestido. Abriu-o com precisão, sem pressa desnecessária, deixando a seda escorrer pelos ombros de Mariana até amontoar-se na cintura. Os lábios de Carla partiram da boca e começaram uma jornada descendente — pelo pescoço, pela clavícula, enquanto suas mãos traçavam linhas de calor pela pele agora exposta.
Mariana deixou escapar um suspiro quando Carla encontrou o seio com a boca. A língua descreveu círculos lentos ao redor do mamilo antes de sugá-lo com uma pressão que fazia Mariana arquear as costas contra a parede. Uma das mãos de Carla desceu pela cintura, empurrando o resto do vestido para baixo, até que ele caísse no chão em uma poça de verde-escuro.
— Deita — Carla disse, com uma voz mais grave do que antes.
Mariana obedeceu, deitando-se de costas no tapete persa do corredor. A luz amarelada do abajur criava sombras suaves sobre seu corpo. Carla ajoelhou-se ao seu lado e a observou por um momento que pareceu esticar-se no tempo — aquele olhar que fazia Mariana sentir-se simultaneamente exposta e absolutamente segura.
— Você é deslumbrante — Carla disse baixinho, como uma confissão.
Em vez de responder, Mariana alcançou o blazer de Carla e puxou-a para baixo, encontrando seus lábios novamente. Suas mãos encontraram os botões da blusa por baixo do terninho, abrindo-os um a um com determinação. Carla a ajudou, despindo-se do blazer e da blusa em movimentos práticos, revelando a pele dourada e os seios pequenos num sutiã de renda preta.
A Promessa Cumprida
Carla reposicionou-se, seus joelhos entre os de Mariana, e começou a descer beijos pelo abdômen. Cada um era deliberado, demorado, como se estivesse mapeando um território que pretendia colonizar. Quando chegou à linha da calcinha de renda, Carla parou e olhou para cima, buscando os olhos de Mariana.
— Posso?
— Você sabe que pode — Mariana respirou.
Carla retirou a peça lentamente, revelando Mariana por inteiro. Seus primeiros toques foram com a ponta da língua — leves, quase interrogativos, como se estivesse testando a resposta do corpo. Mariana gemeu e abriu mais as pernas, e esse som pareceu ser tudo que Carla precisava. A língua pressionou com mais firmeza, encontrando o clitóris com uma precisão que vinha de meses de aprendizado mútuo.
Mariana enterrou os dedos no tapete. Carla alternava entre língua e lábios, com uma cadência que era insuportável e perfeita ao mesmo tempo. Quando introduziu dois dedos, curvados para encontrar aquele ponto interno que fazia Mariana ver estrelas, o orgasmo construiu-se como uma onda que se avoluma antes de quebrar.
— Carla… — O nome saiu como um aviso e um pedido simultâneos.
Carla não parou. Seus dedos mantiveram o ritmo enquanto sua boca continuava seu trabalho, e Mariana se deixou levar. O orgasmo a atravessou em ondas concêntricas, fazendo-a contrair-se ao redor dos dedos de Carla enquanto um som gutural escapava de sua garganta.
O Retorno
Quando a respiração de Mariana voltou ao normal, ela puxou Carla para cima e inverteu as posições. Agora era ela quem observava — a pele dourada de Carla contra o tapete, os olhos verdes escurecidos de desejo, a renda preta que era o último obstáculo.
Mariana não se apressou. Beijou cada costela, cada curva, cada polegada de pele que encontrou no caminho. Quando finalmente retirou a calcinha de renda, Carla ergueu os quadris em antecipação.
— Você é cruel — Carla sussurrou com um sorriso.
— Eu sou metódica — Mariana corrigiu, antes de baixar a boca.
O gosto de Carla era familiar agora, mas nunca rotineiro. Mariana trabalhou com dedicação, usando língua, lábios e dedos em combinações que tinha memorizado e aperfeiçoado. Carla era mais vocal do que ela — gemidos, palavras fragmentadas em português e expressões incompreensíveis que eram, de alguma forma, as mais eróticas de todas.
Quando Carla veio, suas mãos apertaram os ombros de Mariana com uma força que deixaria marcas no dia seguinte. Mariana manteve a boca no lugar, prolongando o orgasmo até que Carla a puxasse pelos cabelos, suplicando por uma pausa.
O Depois
Ficaram deitadas lado a lado no tapete, as pernas entrelaçadas, a respiração gradualmente voltando ao normal. O vestido de seda ainda estava amontoado no chão. A renda preta de Carla repousava em algum lugar entre elas.
— Devíamos mudar para a cama — Carla disse, sem mover-se.
— Daqui a cinco minutos — Marina respondeu.
— Daqui a dez — Carla concordou.
O vento continuava sussurrando na varanda. Mariana virou a cabeça e beijou o ombro de Carla — um beijo breve, doce, que não prometia nada além daquela quietude compartilhada. A noite ainda era longa, e elas tinham todo o tempo do mundo para não ter pressa.