Mariana ajustou o vestido preto pela terceira vez em frente ao espelho do quarto. A festa de aniversário do chefe era uma obrigação social que ela planejava cumprir com o mínimo de tempo possível. O que ela não sabia era que essa noite rearranjaria todas as suas certezas sobre como funciona o desejo proibido — especialmente quando ele se manifesta de forma tão imprevisível.
O Encontro
O salão do restaurante estava iluminado por luzes amareladas que conferiam um ar íntimo ao ambiente. Mariana recebeu sua taça de champanhe e se encostou no balcão de mármore quando percebeu a presença ao seu lado. O perfume era amadeirado, com notas de vetiver e algo que lembrava couro.
— Você não parece alguém que curte festas de empresa — disse a voz masculina, grave e levemente arrastada.
Ela se virou. Rafael era do escritório de São Paulo, havia sido transferido há duas semanas. Alto, olhos escuros, barba feita com precisão cirúrgica. Ele usava um terno cinza que parecia ter sido costurado em seu corpo.
— Estou aqui pelo bolo — ela respondeu, o canto da boca se curvando.
Rafael sorriu. Era um sorriso lento, calculado, que fazia os olhos dele ficarem ainda mais escuros. Mariana sentiu o estômago apertar e culpou o champanhe. Na verdade, aquela reação tinha pouco a ver com álcool e tudo a ver com a forma como o olhar dele percorreu seu decote antes de voltar aos olhos dela com uma franqueza que a deixou sem ar.
— O bolo ainda vai demorar — ele disse, aproximando-se alguns centímetros. — Posso te oferecer uma distração meantime?
Ela deveria ter dito não. A política da empresa era clara sobre relacionamentos entre funcionários de departamentos diferentes. Mas a palavra proibido, em vez de assustá-la, funcionou como um ímã.
A Tensão
Conversaram por quarenta minutos sobre tudo e sobre nada. Rafael tinha um humor seco que combinava com o dela, e a fluidez da conversa era perigosa. Cada vez que ele se inclinava para falar algo mais baixo, o braço dele roçava no dela, e Mariana sentia uma descarga elétrica percorrer a espinha.
— Vamos sair daqui — ele murmurou perto do ouvido dela, e a respiração quente contra a pele fez she shiver.
Ela não perguntou para onde. Seguiu ele pelo corredor escuro que dava para a saída dos fundos, passando pela cozinha onde os funcionários ignoraram os dois com a naturalidade de quem já viu de tudo.
O ar da noite de outono era fresco. Rafael a guiou até um carro escuro estacionado na esquina, abriu a porta passageiro e esperou ela entrar. Quando ele se sentou ao volante, nenhum dos dois falou por um longo momento. A only sound era a respiração deles e o zumbido distante da festa.
— Meu apartamento fica a dez minutos — ele disse finalmente, a voz mais grosa do que antes.
Mariana olhou para ele. Os olhos de Rafael eram dois poços de intenção clara, sem disfarce. Ela entendeu, naquele instante, exatamente como funciona o desejo proibido: não é sobre o que você não pode ter, mas sobre a eletricidade que percorre seu corpo quando decide que vai ter mesmo assim.
— Dirija — ela disse.
A Entrega
O elevador do prédio era pequeno e silencioso. No décimo segundo andar, antes mesmo de a porta abrir completamente, Rafael a puxou pelo pulso e a prensou contra a parede do corredor. O beijo foi imediato, faminto, como se toda a conversa do restaurante tivesse sido uma corda sendo tensionada que finalmente arrebentou.
Os lábios dele eram firmes e exigentes. A língua encontrou a dela sem hesitação, e Mariana enroscou os dedos nos cabelos dele, puxando a cabeça para mais perto. Ele a segurava pela cintura com as duas mãos, os polegares pressionando a pele experta entre o vestido e a costela.
A porta do apartamento se abriu com um clique. Eles entraram tropeçando, ainda grudados, e Rafael a empurrou contra a primeira superfície available — a parede da sala de estar, ampla e vazia.
— Tem certeza? — ele perguntou contra os lábios dela, e mesmo com a voz quebrada de vontade, a pergunta era genuína.
— Tenho certeza absoluta — ela respondeu, e puxou a gravata dele para baixo, obrigando-o a curvar o pescoço.
As mãos dele encontraram o zíper das costas do vestido e o desceram com uma lentidão torturante. O tecido escorregou pelos ombros dela e caiu no chão em uma poça de tecido preto. Mariana ficou de sutiã e calcinha, ambos de renda escura, sob a luz fria da lua que entrava pela janela ampla.
Rafael se afastou o suficiente para olhá-la. O olhar dele era tão intenso que parecia tangível, como se os olhos dele fossem mãos percorrendo cada curva do corpo dela.
— Você é absurdamente linda — ele disse, e pela primeira vez na noite, a voz dele tremia.
Ela não deixou ele ficar parado por muito tempo. As mãos dela foram rápidas no casaco, na camisa, nos botões que pareciam multiplicar. Quando finalmente conseguiu retirar a camisa, o torso de Rafael apareceu — peito largo, abdômen definido, uma linha de pelos escuros descendo do umbigo e desaparecendo no cinto.
Mariana passou as pontas dos dedos por aquela linha e sentiu os músculos do abdômen dele contraírem sob o toque.
O Desejo Consumado
Rafael a ergueu pelas coxas e ela envolveu as pernas ao redor da cintura dele. Ele a carregou até o quarto, a jogou na cama king size com uma firmeza que a fez gemer baixinho. Ele se colocou sobre ela, apoiando o peso nos antebraços, e retomou o beijo com uma urgência nova.
As mãos dele desceram pelo corpo dela com uma precisão devastadora. Os dedos percorreram a lateral dos seios, a curva da cintura, o quadril largo, e pararam na barra da calcinha de renda. Ele não a tirou imediatamente. Em vez disso, deslizou os dedos por cima do tecido, encontrando o calor e a umidade que já haviam se formado ali.
Mariana arqueou as costas, levantando os quadris contra a mão dele.
— Por favor — ela sussurrou.
Rafael tirou a calcinha devagar, puxando pelos lados, como se estivesse desembalando algo precioso. Quando ela ficou inteiramente nua sob ele, ele se afastou apenas o suficiente para remover o resto das próprias roupas.
O corpo dele ao corpo dela foi um choque térmico. A pele quente, os pelos do peito roçando nos seios dela, a rigidez dele pressionando contra a coxa. Mariana abriu as pernas e ele se acomodou entre elas, o peso perfeito, a pressão exata no lugar certo.
Ele entrou devagar. Centímetro por centímetro, com uma paciência que parecia cruel e generosa ao mesmo tempo. Mariana prendeu a respiração, sentindo cada milímetro daquele preenchimento, até que ele estava inteiramente dentro dela, imóvel, os olhos cravados nos dela.
— Me diz o que você quer — ele pediu, a voz rouca.
— Me move. Agora.
Rafael começou um ritmo que era tudo o que ela precisava. Profundo, deliberado, cada thrust acompanhado de um gemido que ele não tentava esconder. As mãos dele seguravam as dela acima da cabeça, os dedos entrelaçados, enquanto os quadris dele marcavam um compasso que ia acelerando.
Mariana subiu as pernas mais alto nas costas dele, mudando o ângulo, e o novo contato fez ela soltar um grito abafado contra o ombro dele. Ele repetiu o movimento, uma vez, duas, três, até que ela sentiu a onda começar a se formar — aquela contração que começa na base da espinha e se espalha como fogo.
— Vem comigo — ela conseguiu dizer entre respirações cortadas.
Rafael apertou os dedos dela com força e acelerou ainda mais, os quadris golpeando com uma fúria controlada. Quando ela se quebrou, foi em ondas longas que a fizeram fechar os olhos e abrir a boca em um silêncio que era mais intenso do que qualquer grito. Ele a seguiu segundos depois, enterrando o rosto no pescoço dela, o corpo todo tensionando antes de se soltar em tremores.
Ficaram assim por um tempo que nenhum dos dois mediu. O peito dele contra o dela, a respiração retornando ao normal, a lua movendo-se lentamente pela janela.
A Manhã Seguinte
Mariana acordou com a luz cinzenta da manhã entrando pelas cortinas semifechadas. Por um instante, não soube onde estava. Depois sentiu o braço quente ao redor da cintura e a respiração regular contra a nuca, e tudo voltou.
Ela se virou devagar. Rafael dormia de bruços, o rosto meio enterrado no travesseiro, a barra do lençol cobrindo apenas a metade das costas. Mariana permitiu-se olhar — os ombros largos, a coluna em S perfeita, a marca que ela havia deixado com os dentes no trapézio dele.
Um sorriso curvou seus lábios. Agora ela sabia, com a certeza que só a experiência dá, como funciona o desejo proibido. Ele não funciona como uma regra ou uma fórmula. Funciona como um acordo silencioso entre dois adultos que olham um para o outro e decidem que a proibição é um problema deles — e que a solução é simplesmente ignorá-la juntos.
Rafael mexeu-se e abriu um olho.
— Bom dia — ele disse, a voz rouca de sono.
— Bom dia — ela repetiu.
Ele puxou ela para mais perto, o corpo dele já demonstrando interesse renovado contra a coxa dela.
— O café pode esperar — ele murmurou nos lábios dela.
Mariana riu baixinho e o beijou. O desejo proibido, ela pensou enquanto as mãos dele já percorriam seu corpo outra vez, tem isso: depois da primeira vez, a proibição vira piada.