Mariana ajustou o brinco de prata enquanto observava o reflexo no espelho do corredor. Dez anos tinham se passado desde a última vez que viu Rafael, e ainda assim seu coração acelerava ao ouvir a buzina do carro na calçada. O convite para jantar havia chegado por mensagem, casual por fora, mas carregado de uma intenção que ela reconheceu imediatamente. Ela sabia o que aquela noite significava.
A Mesa Posta
O restaurante era discreto, escondido numa rua de paralelepípedos no centro de Lisboa. Luz baixa, toalhas de linho, garrafas de vinho encostadas nas paredes de pedra. Rafael já estava sentado quando ela chegou, e o jeito como ele se levantou ao vê-la trouxe de volta uma onda inteira de memórias.
— Mariana — ele disse, com a voz mais grave do que ela lembrava.
Ele a abraçou de forma breve, mas suficiente para que ela sentisse o calor do corpo dele, o perfume que mudou mas ainda carregava aquela essência amadeirada que sempre a fez perder o rumo. Sentaram-se um de frente para o outro, e por alguns instantes nenhum dos dois falou. O silêncio não era desconfortável. Era o tipo de silêncio que só existe entre pessoas que já se despiram juntas.
— Você está linda — ele disse finalmente.
— Você envelheceu bem — ela respondeu, com um sorriso que sabia ser perigoso.
O garçom se aproximou e Rafael pediu um Douro tinto, reserva especial, sem consultar a carta. Mariana ergueu uma sobrancelha. Ele se lembrava. Sempre soube exatamente o que ela gostava.
O Primeiro Gole
A conversa fluiu com uma naturalidade que surpreendeu os dois. Carreiras, cidades, vidas que seguiram caminhos separados. Mas por baixo de cada frase educada, havia uma corrente submersa. O modo como os olhares se prolongavam um segundo a mais do que o necessário. O modo como Rafael girava a taça entre os dedos, lentamente, como se estivesse acariciando algo.
Quando o vinho chegou, ele serviu para ela primeiro. O líquido escuro escorreu pela taça com uma densidade aveludada. Mariana levou à boca e sentiu o sabor se expandir, quente e complexo, com notas de fruta negra e especiaria. Fechou os olhos por um instante, e quando os abriu, encontrou o olhar de Rafael fixo em seus lábios.
— Lembras daquela noite em Porto? — ele perguntou, baixo.
Ela lembrou. Uma garrafa de vinho semelhante, um terraço com vista para o rio, e as mãos dele percorrendo seu corpo como se fosse um mapa que ele se recusava a esquecer. O calor subiu pelo pescoço dela.
— Lembro — disse apenas.
A sobremesa chegou e nenhum dos dois tocou. O vinho já estava pela metade da segunda garrafa, e a distância entre as cadeiras parecia ter diminuído, embora nenhuma delas se tivesse movido.
A Confissão
— Sabe o que eu mais senti falta? — Rafael disse, deixando a taça na mesa e se inclinando para frente. — Não era só o sexo. Era a forma como você respirava quando estava prestes a perder o controle.
Mariana sentiu o estômago se contrair. A franqueza dele era uma arma que ela tinha esquecido quão bem ele manejava. Os dedos dela apertaram a haste da taça.
— E você — ela respondeu, mantendo a voz firme apesar do pulso acelerado — sempre soube exatamente como me levar até ali.
Rafael sorriu. Aquele sorriso. Lento, confiante, quase predatório, mas nunca ameaçador. Havia sempre uma permissão implícita nos gestos dele, uma pergunta silenciosa que ele fazia com os olhos antes de cada avanço. Era isso que ela mais sentia falta. A certeza de que estava entregando algo porque queria, não porque foi pressionada.
— Mariana — ele disse, e o tom da voz mudou, desceu meio tom, ficou mais íntimo, como se as paredes do restaurante tivessem recuado. — Eu não te convidei para jantar só para conversar.
— Eu sei — ela disse.
— O meu apartamento fica a cinco minutos daqui.
Ela terminou o vinho da taça em um gole longo, colocou-a de volta na mesa e olhou nos olhos dele com uma determinação que dez anos não tinham apagado.
— Então vamos.
O Apartamento
A porta mal se fechou atrás deles quando as mãos de Rafael encontraram a cintura de Mariana. Ele a pressionou contra a parede do corredor, e ela sentiu a textura da madeira nas costas enquanto o corpo dele se colava ao dela. O beijo veio com uma urgência que não tinha nada de hesitante. Os lábios dele eram firmes, exigentes, e quando a língua dele encontrou a dela, Mariana soltou um som que veio do fundo do peito.
As mãos dela foram parar no cabelo dele, puxando mais para perto, como se pudesse fundir os dois corpos pela força da vontade. Ele deslizou os dedos pelas costas dela, encontrou o zíper do vestido e o abriu com uma precisão que revelava prática antiga. O tecido escorreu pelos ombros dela e caiu até a cintura.
Rafael afastou-se o suficiente para olhá-la. A luz fraca do corredor delineava os contornos do sutiã de renda preta, a curva dos seios, o ritmo acelerado da respiração.
— Deus — ele murmurou. — Fico mais bonita a cada vez que te vejo.
— Menos conversa — ela disse, puxando-o pelo colarinho da camisa.
Ele riu baixo, um som que vibrou contra a boca dela, e a guiou pelo corredor até o quarto. O apartamento era espaçoso, mobiliado com gosto, mas Mariana não registrou nenhum detalhe. O único foco era o homem que a estava beijando novamente, agora com as costas pressionadas contra a porta do quarto, as mãos dele subindo pelas coxas, levantando o vestido que ainda pendia na cintura.
O vestido caiu no chão. Ele a cobriu com o corpo, e ela sentiu a ereção dele através do tecido da calça, rígida contra a barriga dela. Mariana moveu os quadris uma vez, lentamente, e ouviu a respiração dele quebrar.
Redescoberta
Rafael a deitou na cama e se afastou o suficiente para tirar a camisa. O corpo dele era diferente do que ela lembrava — mais definido, com alguns cabelos grisalhos no peito que não estavam lá antes — e isso de alguma forma a excitava mais. Ele se inclinou sobre ela, apoiando os antebraços de cada lado da cabeça dela, e começou a beijar o pescoço, descendo lentamente.
Os lábios dele encontraram a clavícula, depois o topo dos seios, e quando puxou o sutiã para baixo e a boca dele fechou em torno de um mamilo, Mariana arqueou as costas e agarrou os lençóis. A língua dele descrevia círculos lentos, precisos, enquanto a mão livre subia pela outra mama, apertando com uma firmeza calculada.
— Rafael — sussurrou ela, e o nome saiu como um pedido.
Ele respondeu descendo mais. Os beijos percorreram a linha do estômago, o osso do quadril, e quando ele ajoelhou entre as pernas dela e puxou a calcinha de renda para o lado, Mariana já estava molhada o suficiente para que ele visse o brilho na luz fraca do quarto.
— Sempre tão receptiva — ele disse, a voz rouca.
— Sempre — ela confirmou.
O primeiro toque da língua dele foi deliberado, lento, um traço longo de baixo para cima que a fez gemer alto. Ele repetiu o movimento, variando a pressão, e quando os lábios dele fecharam ao redor do clitóris e sugou com gentileza, as pernas dela tremeram. Rafael usou os dedos enquanto a boca trabalhava, inserindo um com cuidado, sentindo as paredes internas contraírem ao redor dele.
— Mais — pediu ela, com a voz quebrada.
Ele acrescentou um segundo dedo e aumentou o ritmo. A língua dele mantinha um padrão constante, insistente, e Mariana sentiu o prazer se acumulando como uma onda que ganhava volume. As mãos dela acharam o cabelo dele e puxaram, não para afastar, mas para manter exatamente ali. O orgasmo a atingiu em ondas, fazendo seu corpo se tensionar contra a cama enquanto sons inarticulados escapavam dos lábios dela.
O Que Sempre Foi
Rafael subiu pelo corpo dela enquanto ela ainda tremia, e quando a beijou, Mariana provou a si mesma nos lábios dele. Ela empurrou-o para o lado com uma força que o surpreendeu, e em segundos suas mãos já estavam no cinto da calça, abrindo-o, puxando a calça e a cueca para baixo juntos.
Ele ficou deitado de costas enquanto ela se posicionava sobre ele, os joelhos de cada lado dos quadris. Mariana segurou a ereção dele na base e desceu lentamente, sentindo cada centímetro preenchendo-a. O gemido que escapou de ambos foi simultâneo.
Ficou imóvel por um instante, apenas sentindo. A espessura dele, o calor, a familiaridade absurda daquele encaixe. Depois começou a se mover, erguendo e descendo num ritmo que começou devagar e foi acelerando conforme a sensação se intensificava.
As mãos de Rafael apertavam seus quadris, guiando-a, acompanhando o ritmo. Os olhos dele estavam fixos no ponto onde os corpos se uniam, e a expressão no rosto dele era de pura concentração sensual, como se estivesse memorizando cada segundo.
— Vem aqui — ele disse, puxando-a para baixo.
Mariana se deitou sobre o peito dele e ele a virou, colocando-se por cima. Agora o ritmo era dele, profundo e controlado, cada thrust dado com uma precisão que mostrava que ele lembrava exatamente o ângulo que a fazia perder a razão. Ela envolveu as pernas ao redor da cintura dele, cruzando os tornozelos, e sentiu-o ir ainda mais fundo.
— Assim — ela sussurrou contra a orelha dele. — Exatamente assim.
Rafael aumentou o ritmo. O som dos corpos se encontrando preencheu o quarto, misturado aos gemidos e à respiração pesada. A mão dele deslizou entre eles e encontrou o clitóris dela, pressionando em círculos sincronizados com os movimentos dos quadris. Mariana sentiu o segundo orgasmo se aproximando com uma urgência diferente, mais intensa, e quando atingiu o clímax, as paredes internas se contraíram ao redor dele com força.
Rafael engoliu o gemido dela com um beijo e depois acelerou ainda mais, buscando o próprio limite. Alguns thrusts depois ele se reteve, o corpo tenso, e ela sentiu as pulsações dentro dela enquanto ele gozava com um som grave que reverberou contra o pescoço dela.
Ficaram assim por um longo momento, o peso dele sobre ela, a respiração retornando ao normal aos poucos. Quando ele finalmente se afastou e se deitou ao lado dela, Mariana virou a cabeça e encontrou o olhar dele.
— Uma segunda garrafa? — ele perguntou, com um sorriso exausto.
Ela riu, somba e verdadeiro, e colocou a mão no peito dele.
— Talvez depois.